Você já reparou que ninguém fica radiante ao cruzar com o médico no supermercado? Ninguém atravessa a rua correndo para dar um abraço no dentista ou aponta discretamente dizendo: “Olha lá, aquele ali é o meu mecânico!”
Mas com professor? Ah, com professor a história é outra.
Pode passar uma década. A gente muda de corte de cabelo, ganha rugas, muda de cidade. Mas se o ex-aluno avista o professor no shopping, ele brota do nada com um sorriso de orelha a orelha.
A verdade oculta? Metade das vezes nós, professores, não fazemos a menor ideia de quem é a pessoa! Só nos resta aplicar a técnica milenar dos Pinguins de Madagascar: apenas sorria e acene, rapazes. Sorria e acene. (Com o Capitão do desenho animado, claro, e não com o Mussolini da Pindorama, Deus me livre!)
Brincadeiras à parte, esse fenômeno esquisito e maravilhoso mostra algo profundo. Apesar dos ataques cotidianos, dos salários defasados e da desvalorização, o professor ainda ocupa um lugar sagrado na vida de alguém. Nós mudamos rumos. Nós deixamos marcas.
Não há preço que pague o orgulho de um ex-aluno que vem nos contar o que faz da vida hoje, como quem compartilha uma vitória com quem ajudou a construir a base.
Prof. Fábio José, o Filó!