O ato de ler proporciona um exercício importante para o desenvolvimento
cognitivo nosso, daí a importância de estimula-lo o quanto antes nas crianças.
Com a leitura desenvolver o raciocínio e aguçamos nosso
senso crítico. Por isso é importante que as escolas estimulem esta prática.
Para ajudar no trabalho dos professores, elaborei a presente
ficha de leitura, a qual o aluno vai preenchendo ao passo que vai desvelando a
obra. No final, ele tem um resumo e um fichamento.
O professor pode também aproveita-la para fazer círculos de
leitura, onde os alunos compartilham os livros lidos, além de servir como uma
ferramenta de avaliação.
Uma dica é expor as fichas ao fim do ano letivo. Prof. Fábio José
Dá o horário e lá vai o educador em sua rotina de Sísifo.
Entra na sala, coloca seu material sobre a mesa, apaga a lousa (pelo menos este
é o correto de acordo com a didática e a realidade, pois os alunos simplesmente
saem da sala na troca de aula e este ato se torna um tempo para o retorno deles
sem o professor ter que ficar na porta chamando-os). Há também a possibilidade
de não ter apagador, fato que o obriga a ir em sala em sala procurar um ou
mandar um aluno, a exemplo de Moises se sua bomba branca em busca de um lugar
seco. Então o mestre se senta na cadeira junto a mesa e inicia a chamada.
Uns fazem a chamada pronunciando o número do aluno na sala
de aula, os de inglês dizem os números em inglês com o intuito deles aprenderem
a contar em inglês. Mas sempre há os que apenas decorram quem responde antes
dele para saber hora de dizer “presente” sem ter que decorar bulhufas nenhuma
em inglês. Eu prefiro fazer a chamada
dizendo o nome de cada um. Considero, na minha opinião e não julgando quem faz,
que trocar um nome por um número é massificar o aluno, relevá-lo ao status de
coisa e não de alguém. Afinal, um nome não é apenas uma palavra, um substantivo
próprio. Ele remete a quem a pessoa é, sua história e autenticidade. Um por um
vou chamando-os, anotando quem está presente com um “c” de compareceu e quem
está ausente com um “f” de faltou.
Mas – oh dura e cruel realidade – vem o aluno e avacalha com
tudo. A criatura, durante a minha humanística chamada:
1 – Há o que quer responder por todos, diz quem está
presente e ausente, me atrapalhando, pois tenho ter certeza, além de ser
responsabilidade do aluno de prestar atenção e responder.
2 – Há o que fica concentrado até responder, depois se põe a
conversar, atrapalhando os demais a me ouvirem chamar o nome.
3 – Há o que deixa passar e depois responde e ainda vai até
perto de mim conferir se ficou com presença, verificando que está com falta,
fica a reclamar, alegando que respondeu e eu é quem deixou de registrar. E como
diabos ele sabia que eu não ouvi? Incrível, prefere criar uma teoria da
conspiração de um professor que quer dar falta a admitir que não teve
responsabilidade de prestar atenção.
Contemplo o desprezo dos alunos pela educação, a repugnância
ao conhecimento, a desconsideração com o professor. Vejo o quanto são
supérfluos, se preocupando com coisas banais (saber com quem fulano ficou; a
necessidade de contar que bebeu até cair; saber quando uma pessoa perdeu a
virgindade; marcar o “rolezinho” no shopping; se atualizar sobre a última
fofoca propagada no WhatsApp; comentar as fotos postadas no Facebook etc.).
Sempre de cabeça baixa, não por humildade e sim para ver o celular. Estão lá,
fisicamente na sala, mas com seus fones de ouvidos e dedos a teclar na tela.
É então que fico a pensar naqueles que um dia passaram por
mim, que foram meus alunos e hoje possuem diploma, seja técnico ou superior;
que atuam em ótimos empregos e possuem uma vida economicamente estável. Será
que eles também desprezavam a educação que tiveram? Ficavam a se preocupar mais
com superficialidades do que com o conhecimento oferecido na escola?
Desperdiçavam horas, senão o dia todo, no celular?
Por um bimestre todo você explica uma atividade, no outro
pede que o aluno a desenvolva. Então eis que lhe questiona o que é para fazer.
Reclama que não sabe fazer, mesmo você o orientando a seguir as instruções que
foram passadas. Acha ruim você dizer que o que está a fazer está errado (a
criatura quer que eu diga que está certo mesmo não estando?!).
Lamentável o nível de instrução educacional, o descaso que o
próprio aluno tem com sua formação, a falta de interesse naquilo que há de lhe
garantir um bom emprego, uma oportunidade de não ser um boçal.
Os paladinos da moral e bons costumes do MBL (Movimento
Brasil Livre), por meio do Escola Sem Partido, comemoram a vitória sobre o INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) em relação a regra do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) que zera a redação que
desrespeitar os direitos humanos. Alegam que ofender o outro é um direito de
livre expressão.
Pois bem, esquecem que democracia não é fazer o que se quer,
pois ela se baseia no princípio de que a liberdade consiste no respeito ao
outro. É a máxima: minha liberdade termina onde a do outro começa.
Viver
democraticamente é viver em harmonia, sabendo o limite entre o pessoal (indivíduo)
e o universal (sociedade) para justamente garantir a sua liberdade, pois, a
partir do momento que se respeito a do outro, tem o direito de ter o respeito
em relação a sua.
Desrespeitar os direitos humanos é pregar a humilhação, a
violência moral e até mesmo induzir à violência física. Como isso pode se
relacionar com a democracia?
Mais um episódio da nossa sociedade boçal, incoerente e hipócrita!
Vira e mexe e questões como cotas sociais e direitos às minorias são postas em destaque nos ataques de pessoas que os consideram privilégios e não justiça.
O apelo é de que a demonocracia garante igualdade para todos, logo, se alguém não conseguiu o que almeja a culpa é apenas dela que não teve vontade. Nesse pensamento, as oportunidades são preenchidas pelo critério da meritocracia.
Porém, como se mede o mérito de alguém numa sociedade em que desigualdade é gritante? Sociedade onde não há uma política pública que visa uma educação de qualidade e os pobres possuem dificuldades no acesso a justiça. Os serviços públicos são precários, possibilitando a humilhante morte nas portas dos hospitais ou mesmo nos seus corredores, além das horas perdidas num transporte público lotado. Como podemos saber até quando é a vontade da pessoa e quando são as barreiras impostas pela sua condição que lhe impedem o crescimento social?
Segundos dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2015, a população que se identifica como preta ou parda cresceu entre a parcela 1% mais rica da população brasileira, cuja renda média é de R$ 11,6 mil por habitante. Contudo, os dados divulgados também mostravam que os negros representavam apenas 17,4% da parcela mais rica do país em 2014. A desigualdade se torna gritante quando observamos o fato de que os negros (pretos e pardos) eram a maioria da população brasileira em 2014, representando 53,6% da população. Os brasileiros que se declaravam brancos eram 45,5% e mesmo assim compõem 79% dos mais ricos.
Vale destacar também que dados da mesma pesquisa apontam que a renda dos 10% mais ricos somam 45% da riqueza total, cabendo aos 90% a divisão do restante, sem esquecer que ela não ocorre de forma igual.
E as mulheres? Elas são a maioria da população brasileira e responsáveis pelo sustento de 37,3% das famílias, mesmo assim recebem em média 66,3% do rendimento dos homens.
Temos que entender que Políticas compensatórias não são privilégios e sim um modo de tentar nivelar para cima a condição social e econômica de grupos historicamente excluídos. Elas servem como uma forma de ultrapassar as barreiras impostas pelo racismo, preconceito, machismo e desigualdade social.
No que isso tira de direito de alguém que possui uma cor considerada honesta pela sociedade? Que possuiu condições de estudar em colégios particular que possui recursos e matricular lá seus filhos? Que está preparado para um vestibular em uma universidade pública ou tem condições de bancar uma particular de qualidade? Que possui bons contatos para conseguir um emprego após se formado ou contará com um escritório ou consultório bancado pela família?
Mais um episódio da nossa sociedade boçal, incoerente e hipócrita!
Não há problema de se posicionar
de um lado ou de outro na política ou levantar esta, essa ou aquela bandeira. A
realidade é sempre vista a partir da visão do observador e este a vê de acordo
com suas ideias. Uma vez que a democracia garante a coexistência de ideias
diferentes e não a ditadura da maioria, não há problema algum nisso. Aliás, são
as diferenças que fomentam um debate construtivo. É na oposição de uma ideia
que reafirmamos a nossa com argumentos mais sólidos ou mudamos de opinião perante
o exposto.
Porém, ao passarmos as vistas na
sociedade brasileira, podemos observar que temos em nossa sociedade direitistas
que desconhecem o pensamento de Adam Smith, que nunca leram ou ouviram falar de
Ayn Rand, só estudaram os governos Reagan ou Thatcher no Ensino Médio e desconhecem
o que é o Consenso de Washington; também há os esquerdista que nunca leram o
Manifesto Comunista de Marx e Engels ou alguma obra de Rosa de Luxemburgo ou
Trotsky; temos aquelas que mostram os peitos e bradam ser feministas sem nunca
ter lido Simone de Beauvoir ou Michel Foucault; palpiteiros sobre educação que
criticam Paulo Freire sem conhecer sua proposta educacional; em cada canto um
crítico de arte que nunca entrou num museu, a não ser nas excursões da escola, que
não sabe que estética é um termo filosófico e jamais leu Adorno ou Humberto
Eco. Traduzindo, temos uma sociedade onde não há posição ideológica e sim associação
em torno de modinhas.
Cômico, no mínimo, ver que as
posições políticas dos cidadãos da República Tupiniquim são baseadas em
conveniência, achismo ou mesmo imagens com frases legais nas redes sociais.
Igrejas não pagam impostos e muitos de seus líderes vivem no luxo, com carros valiosos, mansões hollywoodianas, navegam de iates, viajam de primeira classe, isto quando o avião não é fretado, e se locomovem muitas vezes de helicóptero. Empresas com dívidas milionárias com o governo recebem perdão fiscal. Políticos aprovam fundo público bilionário para financiar suas campanhas, aumentam seus próprios salários, gozam de privilégios pagos com recursos públicos. O Governo federal libera fortunas para conseguir apoio dos parlamentares a fim de evitar a cassação do presidente. Investigações demonstram fortunas desviadas de cofres públicos para beneficiar empreiteiras, políticos e partidos. Mas o que revolta a população é a Lei Rouanet de incentivo a cultura, a qual apenas garante que um artista consiga pedir contribuição aos empresários, meio particular e não público, para financiar a arte. São esses que por sua vez pedem abatimento em impostos. Também vale lembrar que, em geral, o dinheiro levantado para cobrir os projetos não é todo levantado, cabendo ao artista investir recursos próprios.
Mais um episódio da nossa sociedade boçal, incoerente e hipócrita!
A pessoa se denomina cristã, que segue aquele que morreu numa cruz por nós e que prova de amor maior não há, que deus é amor e tantos outros clichês! Porém, ao contrário do que há nos evangelhos que diz seguir, prega o ódio a quem não se enquadra nas suas ideias, lhe deseja a tortura e a morte, chega a rogar ao céu que lhe venha um castigo horrível.
Mais um episódio da nossa sociedade boçal, incoerente e hipócrita!