E lá vou eu no meu homérico
oficio de lecionar para jovens descompromissados com os estudos. Então, peço um
trabalho que consiste na elaboração de uma dissertação sobre a intolerância
presente na sociedade brasileiro e como podemos combate-la. Para que não
esqueçam, anoto as instruções na lousa.
Mais de vinte minutos se passam e
vem a pergunta:
- O que é pra fazer?
Na minha postura de tranquilidade
(ou seria cansaço por estar de invólucro escrotal preenchido?) respondo que é o
que está anotado na lousa.
O horário da aula se aproxima do
fim e recebo uma dissertação (na verdade um texto toscamente escrito cujo o
gênero não é bem definido) e vejo que a criatura classificada como aluno transcreveu
sobre intolerância religiosa. Respiro fundo e me ponho a explicar para aquela
bucólica criatura que ele não fez o que foi pedido. Ignoro, é claro, o fato
dele provavelmente ter copiado o primeiro texto que encontrou na internet, numa
rápida pesquisa no Google sobre intolerância. Mesmo assim, a criatura bufa,
resmunga e ainda ameaça não fazer mais o trabalho (?).
Fico a cá com meus botões a
pensar qual é minha. Expliquei, anotei as instruções na lousa, perguntei se
alguém tinha alguma dúvida, fiquei a disposição para sanar dúvidas pontuais.
Será que minha culpa consiste no fato do aluno não saber pesquisar no Google?
O governo federal anunciou na sua
lista de metas para os cem primeiros dias de governo a regulamentação do ensino
domiciliar por meio de medida provisória, assim, os pais passarão a ter a opção
de serem responsáveis diretamente pela educação dos seus filhos, dispensando a
obrigatoriedade da escola e de profissionais formados em licenciatura.
Tal decisão se soma a outros
ataques que o governo federal e seus apoiadores políticos fazem em relação a
educação e a seus profissionais. Porém, tal medida vai além, pois pode trazer
danos concretos para crianças, expondo-as a vários riscos e gerando sequelas
para suas vidas.
Tida cada vez mais pelo
senso-comum como um espaço de vilania ocupado por “comunistas”, é recorrente os
discursos de que ela precisa ser urgentemente reformulada a fim de garantir uma
“neutralidade” no ensino. Dessa forma, ignoram que ela emerge como uma
instituição essencial para a constituição do indivíduo, da mesma forma como
emerge para a evolução da sociedade e da própria humanidade. É na escola que a
criança aprende os saberes científicos básicos, desenvolve a coordenação motora
e se socializa, aprendendo que há o outro além do eu. Tudo isso sob a supervisão
de profissionais preparados. Também é no ambiente escolar que a criança
participa de campanhas sobre drogas, sexualidades, abusos, preservação do meio
ambiente e combate as discriminações. Há casos noticiados de criança que só
soube que era molestada sexualmente por meio da escola, pois, não sabia que o
que sofria em casa era errado. Também há inúmeros outros de maus tratos que são
percebidos pelos professores, os quais alertam as autoridades competentes.
Devemos também destacar quando a criança apresenta uma necessidade especial,
lembrando que há pais que se negam a reconhecer que seu filho possa ter tais
necessidades.
Com o fim da obrigatoriedade de a
criança frequentar uma escola, ela estará refém de seus responsáveis. Sua
educação poderá ficar apenas no básico, sem explorar suas capacidades ou mesmo
ser orientada para uma área de conhecimento específica que seus pais sonham que
se forme e siga carreira. Outro problema será a dificuldade de se observar práticas
de violência contra o menor, o que impedirá a sua proteção por parte das
autoridades competentes.
É obvio que não pretendo aqui
generalizar, pincelando os pais como seres vis ou mesmo dentro da visão de
Platão de que as crianças deveriam ser tiradas dos pais e enviadas para um
acampamento, uma vez que o filósofo considerava corruptora a influência dos
mais velhos. Mas, temos que levar em conta que pessoas que não valorizam o
ensino feito na escola de forma comunitária, tendem a serem egoístas ou
superprotetores ao ponto de observar perigo para o filho onde não existe,
privando-os de experiências interpessoais e socializante. Outro ponto que deve
ser considerado é quando há abuso, seja físico, psicológico ou mesmo sexual.
Essa triste realidade é constantemente descoberta por professores que observam
comportamentos suspeitos e denunciam os abusadores.
Definitivamente, um fantasma ronda nossas crianças, o da ignorância pedagógica! Prof. Fábio José de Oliveira @FiloProfessor
O problema da educação brasileira é a falta de investimentos dos governos em novos recursos e capacitação de professores,como salário baixo na área, fato que espanta profissionais capacitados em atuarem nela. Outro fator é a não colaboração dos pais com os professores, os desprestigiando-os.
Quem atua na educação ou realmente acompanha o ensino do filho sabe da baboseira que é esta estúpida história de "ensino marxista", se os professores realmente fossem doutrinadores de esquerda, um governo de extrema direita nunca teria tomado posse por meio do voto.
Há muito tempo eu digo que um dia iriamos colher o fruto de todo o descaso com a educação, Eis que hoje colhemos, temos um povo que teme um fantasma chamado "socialismo", que é incapaz de enfrentar a realidade, como a existência de homossexuais que são felizes como são, mulheres que não aceitam serem subalternas dos homens, jovens que desejam se expressarem e até aqueles que são felizes sem uma religião.
O pior de tudo é que ainda há, até mesmo entre os professores, aqueles que defendem esse descalabro!
De como eu cumpro o meu papel de Professor sem ser um manipulador!
Os raivosos defensores do Escola
Sem Partido enxergam nos professores um bando de doutrinadores marxistas
ligados ao PT, daí travam uma luta quixotesca contra a doutrinação nas escolas.
Já me posicionei sobre esse
ridículo assunto (Ler: Escola Sem Partido? Não!). O que pretendo aqui é mostrar que ensinar uma pessoa a ser
crítica não é doutrina-la e sim faze-la pensar livremente.
Quando leciono para meus alunos,
sempre busco contextualizar o assunto abordado, seja nas aulas de Filosofia
para o Ensino Médio, seja nas aulas de História para o Ensino Fundamental.
Assim, trago o ensino para o cotidiano dos alunos, fato importante para eles
entenderem a importância do que estudam.
Depois os questiono sobre o que
pensam a respeito de um tema específico e os deixo opinarem livremente. Isso
torna a aula mais participativa e dinâmica. É então que assumo o meu papel
pedagógico, pegando o que disseram e questionando-os em relação aos conceitos.
Quando alguém me diz que é a
favor da família, não faço juízo, apenas questiono o que ele entende por
família. Quando diz que família é formada por pai, mãe e filhos, questiono os
casos em que ela é liderada por uma mãe solteira ou quando a criança é criada
por outro parente ou mesmo por um conhecido. Discuto se a realidade deles
próprios está de acordo com a ideia que pregam e os deixo pensarem por si só. O
mesmo caso se estende a vários temas. Sempre busco evitar dar a minha opinião
para justamente não influenciar no pensamento deles. Dessa forma, formulam seus
próprios conceitos a partir da reflexão sobre a realidade e não no “achismo”. Uma
dinâmica de construção e desconstrução do conhecimento bem ao estilo
cartesiano.
Por fim, mostro a importância de
não aceitarmos nada como verdade sem antes passarmos pelo exame crítico.
Muitas vezes já vi aqueles que
expressam ideias próximas as minhas, assim, como aqueles que expressam ideias
divergentes. Mas, nada disso importa, o que é válido é se foi formulado dentro
de um desencadear lógico a partir da realidade.
O presente trabalho foi realizado pelos meus alunos do 8º ano do Ensino Fundamental.
Meu objetivo foi o de proporcionar que o aluno conheça e reflita sobre as ideologias que emergiram nos séculos XVIII e XIX afim de compreender suas influências nos dias atuais.
Metodologia
- Trabalho em grupo.
- Montar uma vídeo aula com o tema definido para cada grupo.
- A vídeo aula não deve ultrapassar 10 minutos de duração.
- Tem que constar o nome do Colégio, do Professor Orientador e dos alunos (estes devem ser completos e em ordem alfabética).
Observação: a criatividade fica a cargo de cada grupo.
Introdução
O capitalismo surgiu na Europa Ocidental durante a Baixa Idade Média, principalmente durante e após as Cruzadas, onde ocorreram mudanças no sistema feudal, como a centralização do poder nas mãos do rei (absolutismo) e a ascensão da burguesia. O desenvolvimento do comercio gerou o aumento das cidades, fato que as fez tomar lugar dos feudos como centro social, econômico e político.
A ascensão do comércio fomentou o surgimento da Revolução Industrial e com ela o florar de uma nova classe social: o operariado industrial ou proletariado. Assim, a sociedade se dividiu entre proletários e burgueses industriais (“patrões”).
O êxodo rural provocado pela expansão industrial que atraia milhares de trabalhadores para as cidades em busca de emprego e uma vida melhor ocasionou uma série de transformações sociais. O rápido crescimento urbano ocorreu sem que houvesse preparo, gerando péssimas condições de vida e de trabalho dos operários. Isso influenciou no surgimento de associações, sindicatos e partidos políticos dispostos a lutar por seus direitos e melhorias, afinal, ao passo que a rápida expansão industrial gerava riquezas aos seus proprietários, ela também gerava pobreza aos trabalhadores, pois, estes recebiam baixa renumeração e ficassem presos ao ritmo exaustivo imposto pelos patrões.
Essas transformações possibilitaram o surgimento de novas ideias preocupadas em dar sentido ou teorizar a rápida ascensão do sistema capitalista. Assim, vários pensadores se debruçaram na árdua tarefa de negar, reformar ou legitimar as novas relações de ordem social, econômica e política que ganhavam fôlego em um mundo que passava a ter uma nova roupagem. É nesse ambiente de tensão social que surgem três importantes correntes de pensamento: o Liberalismo, o Socialismo e o Anarquismo.
Temas
* Adam Smith – o liberalismo nos dias atuais.
Expor o liberalismo nos dias atuais, explicando sua influência na sociedade contemporânea.
* Thomas Malthus – o pensamento malthusiano e a necessidade de se buscar um equilíbrio ecológico nos dias atuais.
Contemporizar as ideias de Malthus com a preocupação crescente do esgotamento dos recursos naturais do nosso planeta frente ao aumento populacional.
* David Ricardo – a importância da renda mínima para o trabalhador.
Confrontar a proposta de David Ricardo com o salário mínimo implantado no Brasil, comparando as propostas e a realidade.
*Socialismo Científico – socialismo x bolivarianismo (socialismo do século XXI).
Elaborar uma explicação e uma comparação crítica entre as propostas de Marx e Engels com a proposta de Hugo Chaves e seus apoiadores.
*Socialismo – conquistas dos trabalhadores.
Destacar a importância da influência do pensamento socialista nas organizações sindicais e de diretos civis que garantiram direitos aos trabalhadores ao redor do mundo.
*Anarquismo – opressão do Estado.
Expor a crítica do anarquismo ao papel do Estado como regulamentador da sociedade, o qual é visto como opressor da liberdade individual.
O mundo em si não é complicado, pois ele é regido por leis físicas. Logo, sua racionalidade possibilita soluções simples e práticas.
Complicado é o mundo humano, este que nós criamos e vivemos. Pois, não o edificamos de acordo com as leis físicas e sim sobre egoísmo, prepotência, orgulho e outras banalidades que não nos permitem encontrarmos soluções para os obstáculos que nos impedem de prosseguir.
Muitos se espantariam se percebessem como tudo possui uma solução simples e prática.
Infelizmente há um descrédito por parte de alguns educadores que consideram que a fixação de ideias é um método ultrapassado.
Particularmente, discordo. Considero que a fixação de ideias por meio da repetição faz parte do processo de aprendizagem e desenvolvimento das crianças e jovens. É com ela que se aprende as palavras, desenvolvendo uma consciência linguística.
É claro que uma leitura obrigatória não terá efeito sobre o aluno em termos de aquisição de conhecimento, é preciso estimula-lo. São várias as formas que podem ser usadas nesse processo. Já apresentei anteriormente uma proposta de fichamento, aqui apresento Palavras Cruzadas.
As Palavras Cruzadas, que é um jogo elaborado com base em definições de palavras, daí o Professor pode prepara uma atividade de fixação onde o aluno deve procurar definições de pontos chaves do conteúdo estudado.
No exemplo apresentado, fiz um jogo sobre a ocupação holandesa e a atuação dos jesuítas no Brasil colônia.
1) Ordem missionária que veio ao
Brasil junto com o 1º governador-geral Tomé de Souza.
2) Nome dado aos
habitantes dos países baixos.
3) Primeira cidade que a Companhia das Índias Ocidentais
tentou invadir na América portuguesa.
4) Nome da cidade construída na ilha de
António Vaz durante a ocupação holandesa.
5) Primeira capital do governo
holandês em Pernambuco.
6) A principal região brasileira produtora de açúcar no
século XVII.
7) Nome pelo qual ficou conhecido o confronto armado dos colonos
portugueses contra os holandeses em Pernambuco.
8) Local para onde os
holandeses foram após serem expulsos do Brasil e começaram a produzir açúcar.
9)
Período histórico que envolveu Espanha e Portugal após a morte de Dom Henrique
de Évora.
10) Criado em 1642, foi o órgão cuja principal função era ampliar o
controle do comércio sobre os domínios coloniais.
11) Entidade da Igreja
Católica que fazia visitação na América portuguesa a fim de julgar casos de
heresia.
12) Diante da pressão dos jesuítas, a igreja autorizou a escravização
dos nativos por meio dela.
13) Reino que auxiliou Portugal na expulsão dos
holandeses do Brasil.
14) Comunidades organizadas por religiosos com o objetivo
principal de tornar os nativos em cristãos.
15) Processo que culminou com o fim
da União Ibérica.
16) Administrador holandês responsável pela ocupação em
Pernambuco entre 1637 e 1644 que restaurou a cidade de Olinda, construiu
hospitais, asilos de órfãos, pontes e outras obras que modernizaram a cidade.
17)
Primeiro nome da cidade de São Paulo.
18) Local onde ocorreram duas importantes
batalhas decisivas para a expulsão dos holandeses no Brasil.
19) Nome da
dinastia que governou Portugal após o fim da União Ibérica.
20) Primeiro ministro
lusitano que expulsou os jesuítas do Brasil. Gabarito
Observação: montei o jogo no Word, desenhei uma tabela, depois acrescente as palavras e apaguei os quadrados que não usaria.
Fico a imaginar a sociedade Tupiniquim, a mesma que elevou
as notícias falsas, ou melhor, as "Fake News", a categoria de fonte incontestável
da verdade universal e imutável e de grande e iluminada sabedoria humana, convivendo
num contexto onde o aluno possui o direito de filmar seus professores.
“Quem não deve não teme” bradam os apoiadores da esdrúxula
proposta, mas, tal argumento é falacioso. Afinal, tivemos uma eleição brindada
com reportagens falsa, mentiras pregadas como verdade, distorções dos fatos e
da realidade, ao ponto de circular vídeos com péssimas montagens, dignos de um
trabalho de Ed Wood, que foram levados a sério, numa afronta a inteligência
humana. Assim, um trabalho de edição ou uma cena fora do seu contexto será mais
que suficiente a mentira se tornar uma falsa verdade que seja conveniente a
alguém ou grupo. O que teremos é uma caça às bruxas contra os educadores da
nossa pátria. Eles serão condenados como Sócrates um dia foi em Atenas,
acusados de “corromperem” a mente dos jovens.
Temo que esse futuro distópico seja cada dia um presente
sombrio. Temo pelo dia que terei medo de dizer o que faço, no que exerço o meu
ofício ou que tenha que ter um repertório de desculpas quando tiver que dizer.
Temo que ao andar pelas ruas eu fique apreensivo que alguém me reconheça e me
agrida.
Paranoia? Depois de ver um vídeo de um aluno que pretendeu filmar seu professor sem autorização e dirigiu a ele com ironias e provocações, de um deputado federal fazer gesto de arma com a mão contra um professor durante um debate público, enquanto um outro, que é filho do presidente eleito e o mais bem votado da História, rindo da cena, além de tantos outros ataques nas redes sociais, chego a infeliz conclusão que a cada dia é apenas a terrível realidade.
Mais um episódio da nossa sociedade boçal, incoerente e hipócrita!
O presidente da República Tupiniquim a partir do dia
1º de janeiro de 2019, o Capitão Jair Messias Bolsonaro (PSL), afirmou em
entrevista no dia 5 de novembro que é favorável à gravação de professores por
alunos dentro de sala de aula.
Segundo ele “só o mau professor se preocupa com isso
daí”, após criticar o ensino de questões relacionadas a minorias e defender o
projeto Escola sem Partido, movimento que visa a combater uma suposta
“doutrinação ideológica” nas instituições de ensino, a mesma que já foi
contestado pela Advocacia-Geral da União (AGU), pelo Ministério Público Federal
(MPF) e por inúmeros profissionais da área da educação.
Fico a pensar com meus botões sobre a validade de tal ideia
e eis que emerge em minhas memórias que já fui alvo de gravações durante
aulas que ministrei. Lembro muito bem do ocorrido. Os alunos se aproximaram cordialmente
e me pediram permissão para gravarem a minha aula com o argumento que
consideravam mais eficiente estudarem “reescutando” minha explicação sobre o
conteúdo abordado. Concordei, pois, acredito que recursos tecnológicos agregam
ao processo pedagógico e que todo ato de iniciativa por parte dos alunos em
relação aos estudos deve ser incentivado. E, lá estavam eles com o smartphone
ligado. Houve vezes que eu o colocava no bolso do meu paletó para melhor
registrar o som da minha encantadora e adorável voz.
Porém, isso não faz com que eu seja adepto da ideia de
filmar docentes no desempenhar do seu oficio na sala de aula. Afinal, a
intenção do que ocorreu comigo era a de aprender e hoje o que temos é um clima
cada vez maior de perseguição aos professores. Uma fala desconectada do seu
contexto ou um ouvinte não acostumado com a didática desenvolvida pelo profissional
são o pretexto para alimentar a caça às bruxas. Sem contar que há o agravante
de uma montagem, uma “FakeNews”, que por mais grotesca que possa ser, sempre
terá quem acredite piamente e quem a divulgue como um dogma.
Assim, considero que tal proposta não agrega valores ao
profissional da educação e nem a didática, é apenas mais uma ferramente de perseguição a
nova Geni.
Mais um episódio da nossa sociedade boçal, incoerente
e hipócrita!